O Guia do Mochileiro das Galáxias – Uma amostra

Então, estava vendo a segunda parte do post sobre “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, quando percebi que não tinha colocado aqui nenhuma amostra do brilhante trabalho de Adams. Um incrível erro de minha parte que pretendo retificar agora. Este é o prólogo, ou introdução, do 1º volume do guia, epônimo à série. Este trecho está disponível no site da Editora Sextante, que atualmente tem os direitos de publicação do livro aqui no Brasil.

Boa leitura!

“Muito além, nos confins inexplorados da região mais brega do Braço Ocidental desta Galáxia, há um pequeno sol amarelo e esquecido.

Girando em torno deste sol a uma distância de cerca de 148 milhões de quilômetros, há um planetinha verde-azulado absolutamente insignificante, cujas formas de vida, descendentes de primatas, são tão extraordinariamente primitivas que ainda acham que relógios digitais são uma grande idéia.

Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos por cima, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.

E assim o problema continuava sem solução. Muitas pessoas eram más, e maioria delas era muito infeliz, mesmo as que tinham relógios digitais.

Um número cada vez maior de pessoas acreditava que havia sido um erro terrível da espécie descer das árvores. Algumas diziam que até mesmo subir nas árvores tinha sido uma péssima idéia, e que ninguém jamais deveria ter saído do mar.

E, então, uma quinta-feira, quase dois mil anos depois que um homem foi pregado num pedaço de madeira por ter dito que seria ótimo se as pessoas fossem legais umas com as outras para variar, uma garota, sozinha numa pequena lanchonete em Rickmansworth de repente compreendeu o que tinha dado errado todo esse tempo, e finalmente descobriu como o mundo poderia se tornar um lugar bom e feliz. Desta vez estava tudo certo, ia funcionar, e ninguém teria que ser pregado em coisa nenhuma.

Infelizmente, porém, antes que ela pudesse telefonar para alguém e contar sua descoberta, aconteceu uma catástrofe terrível e idiota, e a idéia perdeu-se para todo o sempre.

Esta não é a história dessa garota.

É a história daquela catástrofe terrível e idiota, e de algumas de suas conseqüências.

É também a história de um livro, chamado O Mochileiro das Galáxias – um livro que não é da Terra, jamais foi publicado na Terra e, até o dia em que ocorreu a terrível catástrofe, nenhum terráqueo jamais o tinha visto ou sequer ouvido falar dele.

Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.

Na verdade, foi provavelmente o mais extraordinário dos livros publicados pelas grandes editoras de Ursa Menor – editoras das quais nenhum terráqueo jamais ouvira falar, também.

O livro é não apenas uma obra extraordinária como também um tremendo best-seller – mais popular que a Enciclopédia Celestial do Lar, mais vendido que Mais Cinqüenta e Três Coisas para se Fazer em Gravidade Zero, e mais polêmico que a colossal trilogia filosófica de Oolonn Colluphid, Onde Deus Errou, Mais Alguns Grandes Erros de Deus e Quem é Esse Tal de Deus Afinal?

Em muitas das civilizações mais tranqüilonas da Borda Oriental da Galáxia, O Mochileiro das Galáxias já substituiu a grande Enciclopédia Galáctica como repositório padrão de todo conhecimento e sabedoria, pois ainda que contenha muitas omissões e textos apócrifos, ou pelo menos terrivelmente incorretos, ele é superior à obra mais antiga e mais prosaica em dois aspectos importantes.

Em primeiro lugar, é ligeiramente mais barato; em segundo lugar, traz impressa na capa, em letras garrafais e amigáveis, a frase NÃO ENTRE EM PÂNICO.

Mas a história daquela quinta-feira terrível e idiota, a história de suas extraordinárias conseqüências, a história das interligações inextricáveis entre estas conseqüências e este livro extraordinário – tudo isso teve um começo muito simples.

Começou com uma casa.”

E aí, o que acharam? Esse foi o trecho que a Sextante utilizou em uns livretos que ela fez para promover o livro, mais ou menos na mesma época em que o filme estava sendo lançado aqui no Brasil. Realmente espero que tenham gostado, porque nesse trecho vemos alguns exemplos daquilo que Douglas Adams sabe fazer de maneira exímia: o entretenimento inteligente.

Vejam só que coisa singela, Arthur Dent procura o sentido da vida nas aventuras que um simples livro (O Guia) o proporciona. Que coisa, não?

Beijos, e até o próximo encontro!

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~ por Hitomi em 07 maio, 2008.

Uma resposta to “O Guia do Mochileiro das Galáxias – Uma amostra”

  1. Adoro Douglas Adams!
    Vim aqui só copiar esse texto
    ^^
    Obrigada por publica-lo. Quebrou meu galho xD

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